Usufruindo da globalização

Falar em globalização é estar na moda. Porém, atribuir-lhe a culpa exclusiva dos mais incautos acontecimentos é, antes de mais nada, canalizar os erros e equívocos sociais-políticos-econômicos para uma palavra que, muitas vezes, vê-se usada por pessoas que nem mesmo sabem seu verdadeiro alcance.

Definir com precisão o que seja a globalização é tarefa das mais árduas, pois, é um fenômeno antigo que somente nos últimos anos vem sendo sentido e absorvido por nós, brasileiros. Podemos explicá-la como sendo um misto de interligação acelerada de mercados nacionais e internacionais, ou a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos (como ocorre nas Bolsas de todo o mundo), ainda, como a "terceira revolução tecnológica" (processamento, difusão e transmissão de informações). Há, até mesmo, os que a denominam de "nova era da história humana". No entanto, definições não são o ensejo perseguido por estas linhas. O que se pretende, sim, é trazer à luz do questionamento popular e, por que não, científico, como podemos (e devemos) nos beneficiar da globalização. O que fazer para nos tornarmos "usufrutuários" desse sistema globalizado que nos é imposto, sem a opção (por fatalidade) de voltar no tempo ou de direcionarmos nossos interesses simplesmente a nível de mercado interno.

Pode-se iniciar dizendo que, para sobreviver em um processo crescente de globalização é necessário qualificar mão-de-obra. Nesse raciocínio, certamente os países mais pobres irão perder com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico. Sem pretensões, ciente da atual conjetura social em que estamos inseridos, já é passada a hora de nós, brasileiros, priorizarmos a educação, buscando um aprimoramento constante e evolutivo, não nos contentando apenas com a graduação oferecida pelos bancos universitários. Há que se buscar mais, bem mais. Cursos, pós-graduações e outras maneiras capazes de nos ampliar os horizontes e nos transformar em visionários do mundo, do mundo real que nos é posto.

Para tanto, devemos estar cientes que a época do lucro fácil, do pouco esforço com muito retorno é passado. Ingressamos em um processo que caracteriza-se como a antítese da era de prosperidade vivida nas primeiras décadas do pós-guerra. Caminhamos a passos de ganso para o embate da luta cotidiana, em que serão vencedores os que verdadeiramente lutarem para isso. Como bem disse o cientista Victor Bulmer-Thomas (professor emérito de Economia da Universidade de Londres) "é irreal achar que os resultados do final da década de 60 e da primeira metade dos anos 70 irão se repetir. Milagres são chamados dessa forma porque são raros". É hora de pensarmos no Brasil de hoje, abandonando a vetusta frase "o Brasil é o país do futuro"

Nos defrontamos como uma tendência nada virtual que são as dificuldades no setor financeiro experimentadas por todos. Óbices estes que, se por um lado nos desgatam física e intelectualmente, pelo corre-corre de conciliar inúmeras tarefas (muitas vezes antagônicas), por outra ótica, são capazes de nos tornar seres mais criativos, entusiastas, apaixonados pela possibilidade de vencer as barreiras e alcançar objetivos gloriosos. E, é justamente esse sentimento de capacidade, aliado à segurança e cidadania perenes, que deve estar presente na vida do ano 2000 e doravante, de todos os brasileiros. Historicamente, tem sido essa fé inabalável na capacidade de gerar sucesso o ponto comum entre todos os grandes empreendedores.

Destarte, sejamos todos usufrutuários dos benefícios (e malefícios) advindos da globalização e, através de uma percepção correta acerca do que é interessante para o mercado e muito trabalho, façamos do fracasso apenas mais uma etapa até o sucesso.

Débora Caldas

Advogada, doutoranda em Direito pela Urcamp/Universidade Nacional de Rosário (Argentina) e Professora de Legislação Comercial Internacional da Urcamp/Sant’Ana do Livramento.

Opinião sobre o Artigo: globalization@uol.com.br